Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que escolhi... E poder me orgulhar, de burca ou de shortinho todos vão me respeitar!
Ontem foi o dia internacional da luta das mulheres. Eu poderia falar sobre como o capitalismo está se apoderando da data, sobre como os
homens (e até algumas mulheres)
estão passando vergonha na internet, falar sobre "a verdadeira história" por trás da escolha do
dia 8 como o dia de luta das mulheres... Mas, quero falar apenas sobre o movimento que houve aqui na cidade mesmo...
Em primeiro lugar, eu me sinto uma farsa porque eu queria me movimentar mais, apoiar mais nossas lutas, fazer mais de alguma forma... Para começar o dia, teve uma aula sobre mulheres e trabalho e eu não estava lá para assistir - comecei mal, mas vai melhorar!
Cheguei só às 16h e no início me senti deslocada, porque a maioria das mulheres ali se conheciam de alguma forma, e eu conhecia poucas pessoas apenas. Tentei me incluir e fui muito bem recebida, rápido comecei a participar da produção de material para a marcha...
Logo não havia muito mais o que fazer e as mulheres representantes das coletivas, marchas e outras entidades passaram a falar sobre a importância do dia de luta das mulheres, no final houve uma intervenção poética, que não concordei muito, mas tudo bem, já que eu não fiz nada não posso criticar.
E então percebi o grupo de mulheres islâmicas - de "nascimento" ou convertidas (como se fala sobre isso?) e senti muito orgulho do grupo do qual estávamos participando. Percebi que não éramos um grupo homogêneo: havia mulheres negras, lésbicas, gordas, islâmicas, não binárias, crianças, jovens e adultas... Mulheres de cabelos curtinhos, cabeludas, peludas e depiladas, loiras, morenas, de cabelos pintados, com e sem tatuagens e piercings... Ou seja, era uma incrível mistura feminina, sem nenhum estereótipo. Achei incrível as mulheres islâmicas gritando por seus direitos de entrar no mercado de trabalho. Essa pauta nem existiu para as mulheres negras (que sempre foram obrigadas a trabalhar, então sua luta é por melhores condições de emprego - leia mais:
Geledés), e as mulheres brancas já conquistaram o direito a trabalhar há muitos anos - apesar das condições desiguais em relação aos homens. Acontece que a gente não sabe que as mulheres islâmicas muitas vezes também querem trabalhar, mas são discriminadas pela sua religião, pelas suas vestimentas. Foi um grande despertar pessoal ver mulheres islâmicas nessa marcha do dia internacional de luta das mulheres.
Foi um encontro que juntou muitas emoções. A alegria, a força, a coragem de enfrentar a luta, a saudade, tristeza e até o ódio pela falta das companheiras que foram tiradas do nosso convívio de maneira brutal e injusta, aflição por não sabermos o que fazer pelas mulheres que não podiam estar ali (porque precisavam trabalhar, ou porque não acreditam nas lutas das mulheres, ou porque são obrigadas a ficar em suas casas), sabendo que não podemos fazer nada porque cada uma de nós temos que falar, agir e responder por nós mesmas... Esses sentimentos nos fortalecem a cada ano para continuarmos as lutas, mas acredito que apenas uma vez por ano é pouco para fortalecer uma batalha difícil como essa, contra o machismo, a misoginia, o racismo, a homofobia - sobretudo a lesbofobia...
Para enfrentarmos o que é falado diariamente na internet, na mídia, nos círculos familiares e nas rodas de amigos, precisaríamos de um encontro feminista mensal, no mínimo. Porque é muito difícil enfrentar uma sociedade que nos julga, nos discrimina e nos mata diariamente.
Espero que vocês se fortaleçam nas nossas lutas. Que percebam a importância da luta feminista. A luta pela conquista e defesa dos direitos das mulheres... E, pra finalizar... Parabéns pra nós que resistimos e sobrevivemos. Vamos honrar a vida das mulheres que não estão mais entre nós fortalecendo nossos laços e cuidando umas das outras. #NiUnaMenos #PelaVidaDasMulheres #8M #MarchaMundialdeMulheres
Comentários
Postar um comentário
E o seu dia, como está indo?